ROSA DO RIO

Comecei a pintar em azulejo com o Inácio Matsinhe, um artista moçambicano, em 1992, em Bruxelas.

O Inácio tinha na altura um atelier, não muito longe de minha casa, e eu gostava muito das suas peças de cerâmica. Muito africanas, verdadeiras esculturas antropomórficas feitas com técnica de cerâmica.

Fui vê-lo e perguntei-lhe se podia trabalhar com ele para aprender a sua cerâmica/escultura.

Disse-me que sim, mas na altura o que estava a fazer, no atelier, eram grandes painéis de azulejos pintados com os seus temas. O ambiente era pouco propício à cerâmica e tudo apontava para a pintura em azulejo. E assim foi!

Para a cerâmica o Inácio apresentar-me-ia os “Les Ateliers de la Rue Voot” onde fazia as suas peças.

Posteriormente, durante uma passagem por Portugal, pintei muitos azulejos na Cerâmica Artística Isabel Garcia, na Terrugem.

Mostrei-os depois numa exposição em Bruxelas no “Centro Leopold Senghor”.

Continuei a pintar em azulejo e em peças de louça em Bruxelas até ao Inácio regressar a Moçambique.

Também eu havia de voltar para Portugal onde, alguns anos mais tarde, trabalharia com a Teresa Cortez.

Infelizmente algumas das fotografias antigas não são de muita qualidade e há peças que sofreram as marcas de acidentes que decorreram com o avançar do tempo.

 

 

No princípio dos anos 80 fiz vários trabalhos com tecidos, lãs, rendas, fios, missangas…

Infelizmente não guardei um registo de todos, antes de partirem para outras mãos.

O material que utilizava tinha, quase sempre, um valor afetivo —  rendas, linhas, contas e restos de vestidos, herdados da minha avó materna, bocados de têxteis  encontrados num caixote de lixo em Paris, pedaços de roupas minhas de que gostava particularmente...

Desenhava, cortava, cosia... quase sempre em pequenos formatos.

Lembro-me de o meu pai me dizer, várias vezes — Faça em grande! Aumente a escala! — mas isso pouco aconteceu.